Encontramo-nos já no fim da primeira década do século vinte e um. De fato, o tempo, categoria tão importante, passa e passa de depressa. Para constatar o fato, cito aqui as inúmeras vezes em que ouvi dentro e fora do ambiente de trabalho a expressão “como o tempo (ano) passou rápido”! Bom, não vamos filosofar sobre o tempo, vamos refletir sobre como, com o tempo, as visões de mundo mudam.
Existe uma expressão na filosofia alemã que nos orienta e, ao mesmo tempo nos pergunta sobre a visão de mundo que temos – Weltanschauun. Esta expressão significa, entre outras coisas, perceber com o pensamento um mundo inteligível. O termo mundo não interessa nesse momento; aqui, no sentido cosmológico, como a totalidade dos entes, como realidade objetiva. Interessa no momento o mundo como sendo a totalidade de cada concreto espaço de vida e o horizonte da nossa compreensão – quero dizer até onde nossos olhos podem alcançar. Aqui concordamos com Heidegger que o homem (e mulher) “é um ser no mundo”.
Uma pergunta se faz necessária: qual é a origem do mundo, o homem ou as coisas? A resposta parece indubitável: o homem; porque é ele quem troca as coisas em objetos quando lhes outorga um sentido humano; quero dizer, estabelece com as coisas uma relação. E essa relação humaniza o mundo. A partir da humanização das coisas, elas se complicam e se problematizam.
Aqui, em primeiro lugar precisamos dizer que somos pessoas situadas e que o somos dentro de um mundo complexo. Em segundo lugar que fazemos, pela e com a cultura, um mundo humano e, simultaneamente, a cultura nos faz ou nos desfaz – essa é a condição humana, sem perder tempo aqui e agora com determinismos ambientais nem com teorias a respeito da natureza do homem. Vimos lembrar apenas que nós, homens e mulheres, vivemos numa situação concreta e que daí se derivam, quiçá, os nossos (e de outros) pressupostos ideológicos.
Para ilustrar, o filósofo Ortega y Gasset fez circular sua filosofia em torno da assertiva “Eu sou eu e a minha circunstância”; ou seja, vive-se, move-se e delimita-se por um espaço e tempo circundante. Isso quer dizer que não se pode escapar dessa situação-limite, como não se pode escapar da própria sombra (a não ser ao meio-dia). Enfim, trata-se de dizer que se está inserido em um determinado momento histórico e cultural.
Aqui cabem outras perguntas: em qual momento histórico e cultural estamos inseridos? Quais fatos, acontecimentos e idéias marcaram esta década e influenciaram nossa Weltanschauung (visão de mundo ou cosmovisão)? Que visão de mundo nos orienta no momento ou nos orientará no futuro?
A tentativa de responder a tais perguntas deve, principalmente, encaminhar-nos a refletir sobre as nossas relações com o mundo. Mundo aqui entendido ampla e concretamente. Usando a terminologia emprestada da fenomenologia existencial, pode-se fazer a distinção de três mundos com os quais o homem interage, a saber: o mundo ambiental (Umwelt); o mundo intersubjetivo (Mitwelt) e o mundo próprio (Eigenwelt). O que resta saber é que em cada época e em cada cultura, o ser humano adquire uma nova visão do mundo peculiar e característica – alguns filósofos já falaram disto. Na verdade, hoje, sabemos todos mais coisas sobre o mundo do que acreditavam saber/conhecer, ontem, os sábios – daqui decorre nossa responsabilidade.
O intuito deste artigo não é dar uma resposta – até porque este não é o propósito da reflexão filosófica – mas o de provocar você leitor (a) a buscar uma percepção; ou melhor, uma concepção totalizante do mundo que, de certo modo, oriente (orientará) a sua maneira de ser, viver, fazer, agir, pensar e sentir. Sim, qual é a tua concepção do mundo? Desta resposta dependerá, sobretudo, o futuro, nas próximas décadas, das relações dos homens entre si e dos homens com o mundo.
Anderson Alves Costa
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