Todos já ouvimos, a título de exemplo, que todo ponto de vista é visto de um ponto. Essa frase sintetiza, de certa forma, o pressuposto do relativismo. Essa postura (mentalidade) é resultado de uma sociedade marcadamente pluralista que apresenta grande diversidade de visões da realidade, de concepções de vida, de marcos comportamentais, de ideias e pesnamentos.
Para que o (a) leitor (a) entenda o que pretendo com este artigo é necessario pontuar, mesmo que brevemente, o que venha a ser relativismo. Trata-se de uma posição em que todos os pontos de vista são tão válidos quanto quaisquer outros e em que o individuo é a medida do que é verdade para si. Bom, penso ser isto um grande problema, pois o relativismo diz que a verdade está aí para ser aceita porque existem varias verdades – a minha, a sua, a dele, a daquele outro...Em se tratando de ideias e formas de pensar diferentes, há de se concordar que nem tudo pode ser aceito e aprovado como verdade – o pensamento que aqui expresso, por exemplo, pode ser colocado sob o critério da dúvida, ou não –; caberá ao leitor (a) o imperativo da escolha.
Por outro lado, quando se trata de varias verdades, fugimos ao imobilismo das coisas e se nos é imposto um trabalho de discernimento – pois as “verdades” podem estar sendo produzidas artificialmente pelos manipuladores de opinião. Nesse caso a verdade se constroi na funcionalidade, no solo da racionalidade utilitarista. É uma verdade frágil, sem raízes, instável, descartável. Falo aqui de outra verdade; a que brota de fontes de sentido, corretas ou não – não vem ao caso –, mas que se defrontam com questões significativas propostas pelo ser humano. Hoje tais fontes são múltiplas, como também se apresentam em diversas versões adaptadas à formação cultural dos receptores.
A complexidade de nossa sociedade atual tornou inviável a existencia de somente uma fonte de sentido por todos aceita por responder às suas questões e orientar suas trajetorias; requer leituras adequadas – daí o cuidado quando tudo se torna relativo. Tais leituras bem determinadas são obvias para os que vivem imersos em seu contexto, embora de difícil acesso e aceitação na perspectiva dos que estão de fora.
De fato, hoje temos consciencia de que não podemos transmitir às novas gerações as verdades do passado com aquela totalidade (absoluta certeza) que um dia acolhemos; nem tampouco dilui-las ao ponto de que não haja verdade alguma universalmente válida para mim, para você e para aquele outro.
Anderson Alves Costa