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“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”

(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)

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Araxá, Minas Gerais, Brazil
Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br

sexta-feira, 2 de abril de 2010

No que consiste a dignidade do Trabalho e do Trabalhador?

O trabalho é uma constante na vida humana. O homem não vive sem trabalhar, e ninguém vive sem o trabalho do homem. Mas, por que trabalhar e, sobretudo, trabalhar tanto? As razões são muitas, e atingem o ser humano pela base, até o ponto em que ele se torna ser humano.

Os animais trabalham instintivamente buscando na natureza o sue sustento. Mas o homem não pode simplesmente ficar nisso. Para buscar o seu sustento, ele tem que transformar a natureza, adaptando-a a si mesmo, desde ao que se refere à alimentação, até a sua sobrevivência no planeta. Através do homem, o mundo se humaniza para servir ao homem. E isso se faz por meio do trabalho. Nele o homem transforma o mundo e transforma a si mesmo, tornando-se cada vez mais humano. Por meio dele opera-se a misteriosa passagem da natureza para a cultura. Simples passagem ou ruptura violenta? Dependerá do trabalho que se realizará.

O que interessa no momento, porém, não vem por aí; interessa sim, é que o trabalho é uma realidade social que toca a todos. Por viverem juntos, os homens, todos dependem do trabalho, sejam patrões ou empregados. Aqui, se instaura outro problema, os das relações sociais criadas pelo trabalho, que não soa simples, nem fáceis. No centro desta questão está o salário. Há uma passagem bíblica rezando que “o homem é digno do seu salário”, completo dizendo que, para a maioria, nem sempre. Se todo trabalho é digno, qual seria o salário justo? Bom também não será este o ponto; apenas reforço para que nunca o percamos de vista.

A dignidade do trabalho, seja ele qual for, se traduz por meio de três caminhos: do diálogo com a natureza; do diálogo entre os próprios homens e do diálogo com Deus (transcendentalmente falando). Em se tratando do trabalho enquanto diálogo com a natureza, é ela que produz para o homem um valor imenso; ela lhe proporciona o alimento, o espaço vital, a proteção. Se o homem a destrói, ele acaba com os próprios meios que produzem a vida. Por causa da vida, “o trabalho humano é subordinado à conservação dos seus meios de produção” (LANTZ: p.297, 1977). O que a natureza tem de utilidade é tão continuamente usado e transformado pelo homem que “nenhuma forma de natureza determinada pela arte humana é eterna” (idem, p. 384).

A atividade produtiva humana tem, pois, três dinamismos: ela descobre, torna acessível e usa um valor já produzido pela natureza. Ela destrói este valor, mais o conserva, ao transformá-lo continuamente em valores novos que o trabalho cria. Finalmente, ela estabelece um intercâmbio de matéria vital, um “metabolismo” entre o ser humano e a natureza.

Destruindo, ou melhor, consumindo a natureza, para fazer dela algo mais útil ainda, o ser humano se desgasta, mas cria condições de vida para si e todos os outros. Certo que o trabalho é, pois, uma atividade “natural” no sentido de que ele não separa o homem da natureza; mais que isso, ele é a própria natureza agindo através do homem. Ele (o trabalho) é a “capacidade de utilização da matéria viva ou bruta, sob forma determinada” (ibidem, p.302), produzida pela forma humana do trabalho. É do trabalho de uns que vivem todos. Como produção de objetos úteis, elementos acessíveis e necessários à vida, o trabalho é um intercâmbio de vida entre a natureza e o gênero humano; enquanto criação de possibilidades de vida para os outro, o trabalho é um intercâmbio entre os homens.

O trabalho não é uma realidade separa das outras. O trabalho só existe e se concretiza quando e porque o trabalhador se mexe, produz, cansa-se e se desgasta. Dizer que o trabalho produz significa dizer que o ser humano, trabalhando, produz. É no corpo do trabalho que o trabalho se concretiza, no exercício de sua força de trabalho. Mesmo cessada a atividade, o trabalho mora na vida do trabalhador. Ele impregna e condiciona todo o seu modo de agir, de ser e pensar, de sentir e julgar. Entretanto, as sociedades nunca produziram apenas comida, bebida e habitação. Elas sempre produziram símbolos extremamente variados, abundantes e ricos, de um relacionamento que escapa ao nível da sobrevivência física, e ultrapassa os limites dos intercâmbios humanos. Ser gente é ter desejos infinitos, projetos insaciáveis, utopias: ser para Algo além de si mesmo (a religião chama de Deus).

Tanto uma filosofia do trabalho quanto uma teologia do trabalho; ou melhor, do trabalhador, é uma busca de sentido profundo de existir como trabalhador; pois é no trabalho que o ser humano se realiza e se manifesta no que tem de mais característico. No trabalho, o que especifica propriamente o humano é a dimensão de intercâmbio que ele desenvolve, por força da qual, o trabalho é dinamismo e forma de con-viver. Nisto consiste, numa pequena parte, a dignidade do trabalho e, por consequência, a dignidade de todo trabalhador, descobrir-se, realizar-se, relacionar-se, dialogar com a natureza, consigo mesmo, com os outros e com Deus.

Anderson Alves Costa

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