Sejam todos bem-vindos!


“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”

(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)

Muito prazer!

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Araxá, Minas Gerais, Brazil
Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

APROXIMAM-SE AS FESTAS E COM ELAS O CONSUMO!

Aproximam-se as festas de fim de ano e com elas o desejo sempre presente de poder ter configura-se cada vez mais forte. Tal desejo surge como personagem principal de uma sociedade marcadamente utilitarista. Sem sombra de dúvidas que o vertiginoso desenvolvimento dos recursos tecnológicos e industriais levou a uma ampliação irrefreável dos bens de consumo disponíveis para a coletividade social; uma vez que se torna viável a contínua reposição de gêneros avariados ou imputados como obsoletos, o indivíduo (nós), estimulado (s) pela propaganda comercial financiada pelos grandes aparatos de venda de bens de consumo, é (somos) estimulado (s) a cada vez mais adquirir bens, tendo em vista a conquista de uma suposta satisfação pessoal e bem-estar afetivo e material, tal como prometido sedutoramente pela propaganda.
É claro que esse mecanismo desenfreado de aquisição de bens de materiais é estimulado pela estrutura midiática da sociedade de consumo (a nossa!). Esse mecanismo ganha mais força quando se aproximam datas festivas, como o Natal, por exemplo. Esse poder é tão sedutor que, enuncia-se, por exemplo, a idéia de que a compra de determinado produto proporcionará ao seu comprador um grande destaque social. Não quero manifestar-me contra ao comércio nem contra ao consumidor; quero apenas dizer que por detrás do desejo de consumo existe um processo de manipulação de idéias que se encontra subjacente no nebuloso jogo das interações comerciais de grande porte que faz ressoar de forma muito precisa de que o bem-estar pessoal pode ser conquistado mediante a satisfação contínua dos desejos consumistas de cada indivíduo, ou seja, por meio da valorização de uma vida baseada em tipo vulgar de materialismo, na qual somente se conquista dignidade e respeito à pessoa que goza plenamente das mercadorias disponibilizadas pela estrutura comercialista da sociedade.
Para uma sociedade do consumo a felicidade decorre diretamente da estabilização de um padrão material que solidifique o status individual; entretanto, é fato que a massa da sociedade de consumo age de maneira nitidamente mecanizada resultando no caso de que muitas vezes as pessoas adquirem produtos em decorrência dos estímulos externos transmitidos pelos mecanismos midiáticos. Aqui há o enfraquecimento da capacidade crítica do ser humano. O desejo de consumo não deve cegar o homem ao passo de torná-lo escravo de si mesmo (dos seus próprios desejos) e da cultura que o cerca (no caso aqui a do consumo).


Anderson Alves Costa

terça-feira, 18 de novembro de 2008


COOPERAÇÃO, SOLIDARIEDADE E PAZ
Sociedade globalizada e rede: mais que palavras e novas idéias acerca das relações sociais e de produção, estamos diante de desafios que nos levam a rever conceitos e paradigmas, bem como, indicam a necessidade de construção de outras formas de agir/pensar.
Assim, nos vemos impelidos a, no desenvolvimento de novas relações do homem consigo mesmo, com o seu semelhante e com o mundo, captar as dimensões da mudança em marcha e desenhar uma nova ordem. Aqui estamos nós, sujeitos históricos, determinantes/determinados na relação de interdependência da grande rede e nela, sujeitos de escolhas individuais e coletivas. A cada escolha existem responsabilidades que lhe são inerentes. Somos responsáveis pelos resultados de nossas escolhas históricas, tanto pelos benefícios quanto malefícios.
A passagem do velho para o novo mundo implica em mudar o jeito de fazer, em aprender a compartilhar e se desapegar de velhas certezas. É neste contexto, que nos deparamos com a discussão acerca da “CULTURA DA COOPERAÇÃO”, para nós, CULTURA DA SOLIDARIEDADE E DA PAZ. Uma discussão pertinente ao momento e fundamental como suporte para as mudanças em curso. Um olhar mais atento ao nosso redor e acessamos múltiplos exemplos de cooperação. Buscamos na botânica, ou mais propriamente em um jardim, uma metáfora que nos ajude na compreensão do que seja uma Cultura de Cooperação. Vamos, portanto, falar de flores. Como diz um poeta: “Pra não dizer que não falei das flores”.
Assim, escolhemos, entre várias, o girassol. Ele não é apenas uma flor, é uma comunidade de flores – uma inflorescência – sustentada por uma haste ou pedúnculo. Múltiplas flores se estruturam, ajustam-se e se diferenciam na formação do girassol. Um olhar mais atento, do biólogo ou de um botânico, por exemplo, nos diria das diferenças entre elas. O que conhecemos por pétalas são flores modificadas que perderam, ou abriram mão, de sua capacidade reprodutiva e cresceram de forma a cumprir funções específicas: proteger a comunidade dos predadores e, ao mesmo tempo, atrair os poliminizadores que garantirão a reprodução de novas inflorescências.
Não é o mesmo que acontece na comunidade dos homens? Múltiplos e diferentes, nós assumimos diversos papéis, formando grupos, organizações e comunidades. Há, entretanto, uma diferença fundamental: os homens têm consciência de si, do outro, de seus papéis e de sua condição humana – sujeitos de escolhas.
Podemos encontrar, ainda, outras semelhanças entre inflorescências e comunidades humanas. A haste, por exemplo, para as flores, além de suporte, é veio condutor de suprimentos. É sobre ela que se edifica e se sustenta a comunidade. A haste, na comunidade dos homens, se chama relação. Relações diferentes e em níveis cada vez mais complexos sustentam os fazeres e as experiências humanas – sócio-culturais, econômicas e políticas. Tão vivas quanto à haste do girassol, elas traduzem um movimento permanente em que são trabalhadas desde as necessidades básicas – manutenção do corpo saudável – até sonhos e desejos criados incessantemente pelos homens. Hoje, falamos cada vez mais em qualidade de vida, conforto, beleza, prazer e, principalmente, na qualidade das relações que estabelecemos. Refletir sobre esta haste e seus movimentos implica em entender os suportes que dão sustentação à construção humana: os valores universais, a ética e a prudência nas decisões que envolvem o indivíduo e o coletivo.
Anderson Alves

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Humanizando o Humano

O Objetivo artigo é o de incentivar o estreitamento e fortalecimento das relações interpessoais nos mais diversos níveis do relacionamento humano (familiar, afetivo, profissional, lúdico, religioso, etc.). Este partirá dos seguintes problemas: Como o homem pode abrir-se ao conhecimento e ao relacionamento com o outro se o mesmo permanece fechado em si mesmo? Como é possível falar do outro, conhecê-lo, relacionar-se com ele se se apresenta como um “outro estranho” a mim? Como posso reconhecer no outro um “outro igual” mim? Como chegar ao outro num mundo marcado pela indiferença e intolerância? A dificuldade do homem de abrir-se a si e, conseqüentemente ao outro, dá-se pelo processo que alguns filósofos – por carreira antropólogos e sociólogos – chamam de “desconstrução” do homem. Preferirei cunhar o seguinte termo: “desumanização” do humano.

II – Para um conceito de Homem visando o Humano

Há muito se tentou definir o homem. Aristóteles, por exemplo, define o homem como “animal racional”, quer dizer, como um ser vivo (o ponto em comum com todos os “outros” animais), certamente, mas que teria, além disso (sua “diferença específica”), uma característica própria: a capacidade de raciocinar. Para Descartes e outros, não apenas mantém o critério da razão e da inteligência, mas acrescenta o da afetividade.
Rosseau, contudo, vai além dessas distinções clássicas, ao propor outra, até então inédita sob essa forma. Ora, é nossa definição do humano que vai se revelar verdadeiramente genial, no sentido que vai possibilitar identificar o que, no homem, permite fundar uma moral, uma ética, e até, por mais estranho que possa parecer, uma noção de transcendência. Para Rousseau, e isto em seu Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (1755), para compreender o homem e distingui-lo dos “outros animais”, é preciso: de um lado, a inteligência; de outro, a sensibilidade, afetividade e a sociabilidade (que inclui também a linguagem). Além destes, para Rousseau, outro critério de distinção é a liberdade ou, como exprime, a “perfectibilidade” – segundo Rosseau, “a faculdade [capacidade que o homem possui] de aperfeiçoa-se ao longo da vida”, enquanto o animal, guiado desde a origem e de modo seguro pela natureza, “é, por assim dizer, perfeito ‘de imediato’ desde o nascimento”.



III – Desumanização do Humano

É impressionante o processo de evolução da humanidade do séc. XIX ao séc. XXI! Da Revolução Francesa ao Iluminismo; do Humanismo à Revolução Industrial, do Positivismo ao advento da Sociedade da Informação; nunca o homem – e com ele a sociedade – evoluiu tanto! Evoluiu tanto que se fala até mesmo em “involução” (outro termo patenteado por biólogos, ecologistas que pode somar-se aos já apresentados anteriormente).
O que comprova o que está ocorrendo com o homem (humanidade) pode ser contatado pelos seguintes motivos:
1º) grande preocupação ecológica, onde o senso de preservação ocupa lugar de destaque;
2º) grande avanço científico-tecnológico devido ao advento da Sociedade da Informação.
Os dois exemplos citados – que por si só nos bastam – são preocupações que resultaram das ações do próprio homem. Contudo, quanto ao primeiro exemplo, fala-se de preservação da natureza, do meio ambiente, da camada de ozônio, dos recursos naturais (hídricos, minerais...), dos animais em extinção, mas não se fala da preservação do próprio homem enquanto homem; quanto ao segundo, o próprio homem ao preocupar-se com o avanço e desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias, esquece-se de colaborar com o seu próprio avanço e desenvolvimento.
Numa sociedade marcadamente capitalista (neoliberal) as pessoas tornam-se cada vez mais indiferentes e intolerantes – é interessante notar que, em muitos casos, são indiferentes com elas mesmas. Tal indiferença e intolerância, penso, são as duas grandes causas do processo de “desumanização” do homem.

IV – Dois Caminhos

Vários autores, poetas, antropólogos, filósofos apontam-nos dois caminhos a serem percorridos: o primeiro, o conhecimento de si (auto-conhecimento); o segundo, o conhecimento do outro (alter-conhecimento), assim como nos atesta Pablo Leminski: “Em mim eu vejo o outro e o outro e outro, enfim, dezenas, trens passando, vagões cheios de gente.” Rubem Alves também contribui dizendo que “cada pessoa tem uma história para contar. Elas trocam entre si pequenos fragmentos de memória para que os outros saibam que, a despeito da distância, vivemos juntos momentos de verdade, respiramos o mesmo ar, conspiramos”. Por fim, um provérbio russo traduz tudo isso na prática ao aconselhar que “somos bons quando fazemos os outros melhores.”
Diante dos caminhos apontados há a necessidade de, conforme o antropólogo Juvenal Arduini, “planejar e criar nova humanidade”. Moreno também segue dizendo que “a tarefa de nosso século é reencontrar um lugar para o ser humano...” Parafraseando-o, é tarefa nossa seguir humanizando o humano. Que esta tarefa seja sempre para nós um agradável gerúndio.




sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Arte de Fazer Nascer Idéias


Sócrates, sempre pelo diálogo, costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, que ele aparentemente aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais da pessoa argüida, mostrando a tolice e os absurdos das opiniões superficiais e levando e presumido possuidor da sabedoria a se desconcertar em face das conseqüências contraditórias ou absurdas das suas opiniões originais e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória.
Esta primeira parte do método de Sócrates, destinada a levar o indivíduo à convicção do erro, é a ironia (chamada de irônia socrática). Depois, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor – desenvolvia a verdade completa. Sócrates deu a esta última parte a designação de maiêutica - a arte de fazer nascer as ideias. É este o método que se encontra amplamente desenvolvido nos diálogos socráticos de Platão.
Ora, sendo filho de uma parteira, Sócrates costumava comparar a sua atividade com a de trazer ao mundo a verdade que há dentro de cada um. Disse: “Ora, a minha arte de maiêutico é em tudo semelhante à das parteiras mas difere nisto, em que a ajuda a fazer dar à luz homens e não mulheres e provê às almas geradoras e não aos corpos. E não só, pois o significado maior desta minha arte é que consigo, mediante ela, distinguir, com maior segurança, se a mente do jovem dá à luz quimeras e mentiras, ou coisas vitais e verdadeiras. E tenho em comum com as parteiras precisamente isto: também sou estéril, estéril em sabedoria; e a censura que já muitos me fizeram de que eu interrogo os outros, mas nunca manifesto o meu pensamento acerca de nada, é uma censura muito verdadeira.[...] Por conseguinte, eu próprio não sou de modo nenhum sábio nem se gerou em mim qualquer descoberta que seja fruto da minha alma” ( in Adorno, página 79).
A maiêutica era, na realidade, nada mais que a arte da pesquisa em comum. O homem não podia ver claro por si só. A investigação de que se ocupa não pode começar e acabar no recinto fechado da sua individualidade, pelo contrário, só pode ser fruto de um dialogar contínuo com os outros, como consigo mesmo. O método socrático tinha como característica levar cada indivíduo a refletir acerca dos seus deveres. Sócrates começava por chamar a atenção de cada um para os seus interesses pessoais, interesses domésticos ou pessoais, educação dos filhos, problemas da vida da cidade, questões relativas ao saber. Levava em seguida os seus interlocutores quaisquer que eles fossem, a extrair do caso particular o pensamento universal. Começando por suscitar a desconfiança em relação aos preconceitos que cada um aceitou sem exame prévio, conseguia convencer o seu interlocutor a procurar em si próprio o que era. Conduzia-lo assim, por um lado, a extrair o universal do caso concreto e a expor plenamente à luz aquilo que se esconde em qualquer consciência; e, por outro lado, obrigava-o a destruir as generalidades aceitas de imediato pela consciência.
Não tendo conseguido formular uma filosofia de maneira sistemática, o processo principal de Sócrates consistia em interrogar, em ajudar cada um a tomar consciência dos seus próprios pensamentos, ou melhor, em despertar dentro de cada indivíduo a consciência do universal, a qual existe no foro íntimo de todos como essência imediata. Tal como escreveu Hegel, Sócrates opõe à interioridade acidental e particular a universal e verdadeira interioridade do pensamento. A introspecção é o característico da filosofia de Sócrates, e exprime-se na famosa frase, “Conhece-te a ti mesmo”. Isto é, torna-te consciente da tua ignorância. Conclui-se que os ensinamentos de Sócrates tinham dois propósitos: o primeiro era de demonstrar que o conhecimento era a base de toda a ação virtuosa; o segundo, indicar o conhecimento devia ser desenvolvido pelo próprio indivíduo, de sua própria existência, por meio do método dialético. O conhecimento sustentava ele, era o requisito prévio da livre ação em todas as artes. Isto é sobretudo verdadeiro no caso da mais elevada das artes, a arte de bem viver.
Esse conhecimento, sustentava Sócrates, não podia ser adquirido pela simples aceitação de opiniões individuais, mas somente pela procura daquilo que é comum a todos e que constitui a verdade universalmente válida. Mas o indivíduo era incapaz, sem instrução, de descobrir em sua experiência essa verdade de validez universal. Tal verdade só podia ser adquirida mediante o processo da dialética. Em conseqüência, o alvo do trabalho de Sócrates, assim como o seu ponto de vista sobre o objetivo geral da educação, era o de desenvolver em cada indivíduo o poder de formular verdades universais.
Daqui, uma pergunta se faz necessária: o método maiêutico de Sócrates, o qual ajudava o homem a ‘parir’ suas idéias é conveniente hoje, em uma sociedade (dita) bem informada? Fica aqui um convite à filosofia a todos os nossos leitores.
Anderson Alves Costa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma Conversa sobre Educação


Educação – O que é, como é e para quê serve?
O termo educação é hoje um significante de largo espectro, com tantos significados quantas as múltiplas faces do fato ou fenômeno educativo. Assim, a educação pode ser considerada como uma “realidade” que se experimenta tanto na existência individual como na sócio-histórica; como um “conjunto de influências” do meio. Por ser a educação a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens; desde o surgimento dos homens, é prática fundamental da espécie, distinguindo o modo de ser cultural dos homens do modo natural de existir dos demais seres vivos.
A educação é responsabilidade, ao mesmo tempo, de cada um e de todos. Dá-se mediante um processo constante, no seguinte sentido: “sou educador, mas serei sempre educando”. Hoje, mas do que antes, tem-se consciência do mundo plural em que se vive; portanto, é preciso ter clara a idéia de que existem modelos diferentes de educação. Em todos eles (modelos) deve-se ter presente que a educação deve ser globalizadora (não no sentido neo-liberal de globalização; contudo, tendo em vista tal sistema vigente, há uma certa globalização no processo educacional), tendo como uma de suas finalidades – geral – formar o indivíduo.
Diante do mundo cada vez mais plural em que se vive, desenha-se um novo paradigma pedagógico que pede (exige) uma educação mais abrangente, e não segmentária, fragmentada. Uma educação que possibilite a aquisição de experiências e conhecimentos básicos, a formação científica e a profissional, a elaboração da identidade pessoal, a participação na vida da sociedade, do país e do mundo.
Mons. Juvenal Arduini diz que: “Importa inventar novos valores pedagógicos e propor projeto educativo que coloque a humanidade como prioridade arquetípica. Podemos ter técnicas metodológicas modernas que transmitem conteúdos ultrapassados, injustos, servilistas. A metodologia tem grande utilidade. Mas a educação define-se principalmente pelo seu conteúdo humanizante (grifo nosso). A grande invenção ainda é o ser humano”.
Ao definir a educação por seu conteúdo, o próprio homem, Mons. Juvenal coloca em evidencia também a quem ela se destina assim como a sua finalidade.
Anderson Alves

Uma Vida Sem Reflexão não Merece ser Vivida (Sócrates)


“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”
(Sócrates)
A adolescência e a juventude são momentos privilegiados da vida, pois neles começamos a questionar regras, valores, comportamentos, crenças, idéias. São nestas etapas da vida em que escolhemos quem queremos ser, começamos a desenhar projeto(s) para o futuro. Os modelos de comportamento de nossas famílias, que seguimos durante a infância, já não nos bastam. Queremos experimentar outros modos de viver, de ser, de aparecer. Surgem perguntas como: Quem sou? De onde vim? O que desejo e espero? Como realizar meus sonhos?
São nestas etapas da vida que se dá, então, o início do processo de reflexão. Bem ou mal assumimos uma postura diante das coisas, do mundo, do próprio homem e diante de nós mesmos. Contudo, a medida em que caminhamos deixamos para trás esta atitude indagadora e assumimos uma postura mais conformada sobre o mesmo mundo, as mesmas coisas, o mesmo homem e sobre nós mesmos – questões importantes que outrora questionávamos, hoje soam como naturais. Aristóteles nos diz que “todo homem é filósofo por natureza”; com isto, ele quer dizer que, em outras palavras, todos possuímos esta característica típica da adolescência e da juventude, resta-nos trabalhá-la para que sejamos filósofos de fato! Sócrates com sua célebre frase vem chamar-nos a atenção para este espírito indagador que devemos cultivar por meio de uma vida vivida de forma crítica. Com esta frase Sócrates, em primeiro lugar, coloca em evidência a tarefa da filosofia enquanto modo de pensar e de perceber o mundo.
Pelo fato da Filosofia não se constituir de conceitos prontos, ela também não os aceita, pois não é um sistema fechado em si mesmo, em outras palavras, acabado. Ela é, antes de mais nada, um modo de se colocar diante da realidade, procurando refletir sobre os acontecimentos e as coisas. A reflexão que a filosofia nos proporciona e, ao mesmo tempo, nos impulsiona, permite-nos ir além da “casca do ovo”, isto é, da pura aparência das coisas. A Filosofia é um jogo irreverente que parte do que existe; ela critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre as portas das possibilidades, faz-nos entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida.
Em segundo lugar, ao ficar estabelecida a tarefa da filosofia, fica assim estabelecido o trabalho do filósofo: refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, descobrindo seus significados por meio da reflexão. Assim sendo, o que consiste refletir? Refletir é pensar, considerar cuidadosamente o que já foi pensado. Como um espelho que reflete a nossa imagem, a reflexão do filósofo deixa ver, revela, mostra, traduz os valores envolvidos nos acontecimentos e nas ações humanas. Para isso, precisamos ter algumas certezas, como a de que podemos chegar a conhecimentos válidos para orientar nossas ações; por outro lado, também precisamos ter em mente que essas certezas fazem parte de momentos históricos, de pontos de vista a partir dos quais analisamos o nosso estar no mundo. Portanto, podemos duvidar e colocar em questão o que recebemos.
É o iremos propor nesta coluna e a partir deste artigo! Nosso objetivo será o de levar nossos leitores a uma reflexão e avaliação crítica dos mais diversos assuntos que cercam o seu dia-a-dia de forma a superarem a mera opinião (achismo) sobre as coisas, o mundo, o homem e sobre si mesmos.
Anderson Alves Costa