O Objetivo artigo é o de incentivar o estreitamento e fortalecimento das relações interpessoais nos mais diversos níveis do relacionamento humano (familiar, afetivo, profissional, lúdico, religioso, etc.). Este partirá dos seguintes problemas: Como o homem pode abrir-se ao conhecimento e ao relacionamento com o outro se o mesmo permanece fechado em si mesmo? Como é possível falar do outro, conhecê-lo, relacionar-se com ele se se apresenta como um “outro estranho” a mim? Como posso reconhecer no outro um “outro igual” mim? Como chegar ao outro num mundo marcado pela indiferença e intolerância? A dificuldade do homem de abrir-se a si e, conseqüentemente ao outro, dá-se pelo processo que alguns filósofos – por carreira antropólogos e sociólogos – chamam de “desconstrução” do homem. Preferirei cunhar o seguinte termo: “desumanização” do humano.
II – Para um conceito de Homem visando o Humano
Há muito se tentou definir o homem. Aristóteles, por exemplo, define o homem como “animal racional”, quer dizer, como um ser vivo (o ponto em comum com todos os “outros” animais), certamente, mas que teria, além disso (sua “diferença específica”), uma característica própria: a capacidade de raciocinar. Para Descartes e outros, não apenas mantém o critério da razão e da inteligência, mas acrescenta o da afetividade.
Rosseau, contudo, vai além dessas distinções clássicas, ao propor outra, até então inédita sob essa forma. Ora, é nossa definição do humano que vai se revelar verdadeiramente genial, no sentido que vai possibilitar identificar o que, no homem, permite fundar uma moral, uma ética, e até, por mais estranho que possa parecer, uma noção de transcendência. Para Rousseau, e isto em seu Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (1755), para compreender o homem e distingui-lo dos “outros animais”, é preciso: de um lado, a inteligência; de outro, a sensibilidade, afetividade e a sociabilidade (que inclui também a linguagem). Além destes, para Rousseau, outro critério de distinção é a liberdade ou, como exprime, a “perfectibilidade” – segundo Rosseau, “a faculdade [capacidade que o homem possui] de aperfeiçoa-se ao longo da vida”, enquanto o animal, guiado desde a origem e de modo seguro pela natureza, “é, por assim dizer, perfeito ‘de imediato’ desde o nascimento”.
III – Desumanização do Humano
É impressionante o processo de evolução da humanidade do séc. XIX ao séc. XXI! Da Revolução Francesa ao Iluminismo; do Humanismo à Revolução Industrial, do Positivismo ao advento da Sociedade da Informação; nunca o homem – e com ele a sociedade – evoluiu tanto! Evoluiu tanto que se fala até mesmo em “involução” (outro termo patenteado por biólogos, ecologistas que pode somar-se aos já apresentados anteriormente).
O que comprova o que está ocorrendo com o homem (humanidade) pode ser contatado pelos seguintes motivos:
1º) grande preocupação ecológica, onde o senso de preservação ocupa lugar de destaque;
2º) grande avanço científico-tecnológico devido ao advento da Sociedade da Informação.
Os dois exemplos citados – que por si só nos bastam – são preocupações que resultaram das ações do próprio homem. Contudo, quanto ao primeiro exemplo, fala-se de preservação da natureza, do meio ambiente, da camada de ozônio, dos recursos naturais (hídricos, minerais...), dos animais em extinção, mas não se fala da preservação do próprio homem enquanto homem; quanto ao segundo, o próprio homem ao preocupar-se com o avanço e desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias, esquece-se de colaborar com o seu próprio avanço e desenvolvimento.
Numa sociedade marcadamente capitalista (neoliberal) as pessoas tornam-se cada vez mais indiferentes e intolerantes – é interessante notar que, em muitos casos, são indiferentes com elas mesmas. Tal indiferença e intolerância, penso, são as duas grandes causas do processo de “desumanização” do homem.
IV – Dois Caminhos
Vários autores, poetas, antropólogos, filósofos apontam-nos dois caminhos a serem percorridos: o primeiro, o conhecimento de si (auto-conhecimento); o segundo, o conhecimento do outro (alter-conhecimento), assim como nos atesta Pablo Leminski: “Em mim eu vejo o outro e o outro e outro, enfim, dezenas, trens passando, vagões cheios de gente.” Rubem Alves também contribui dizendo que “cada pessoa tem uma história para contar. Elas trocam entre si pequenos fragmentos de memória para que os outros saibam que, a despeito da distância, vivemos juntos momentos de verdade, respiramos o mesmo ar, conspiramos”. Por fim, um provérbio russo traduz tudo isso na prática ao aconselhar que “somos bons quando fazemos os outros melhores.”
Diante dos caminhos apontados há a necessidade de, conforme o antropólogo Juvenal Arduini, “planejar e criar nova humanidade”. Moreno também segue dizendo que “a tarefa de nosso século é reencontrar um lugar para o ser humano...” Parafraseando-o, é tarefa nossa seguir humanizando o humano. Que esta tarefa seja sempre para nós um agradável gerúndio.
II – Para um conceito de Homem visando o Humano
Há muito se tentou definir o homem. Aristóteles, por exemplo, define o homem como “animal racional”, quer dizer, como um ser vivo (o ponto em comum com todos os “outros” animais), certamente, mas que teria, além disso (sua “diferença específica”), uma característica própria: a capacidade de raciocinar. Para Descartes e outros, não apenas mantém o critério da razão e da inteligência, mas acrescenta o da afetividade.
Rosseau, contudo, vai além dessas distinções clássicas, ao propor outra, até então inédita sob essa forma. Ora, é nossa definição do humano que vai se revelar verdadeiramente genial, no sentido que vai possibilitar identificar o que, no homem, permite fundar uma moral, uma ética, e até, por mais estranho que possa parecer, uma noção de transcendência. Para Rousseau, e isto em seu Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (1755), para compreender o homem e distingui-lo dos “outros animais”, é preciso: de um lado, a inteligência; de outro, a sensibilidade, afetividade e a sociabilidade (que inclui também a linguagem). Além destes, para Rousseau, outro critério de distinção é a liberdade ou, como exprime, a “perfectibilidade” – segundo Rosseau, “a faculdade [capacidade que o homem possui] de aperfeiçoa-se ao longo da vida”, enquanto o animal, guiado desde a origem e de modo seguro pela natureza, “é, por assim dizer, perfeito ‘de imediato’ desde o nascimento”.
III – Desumanização do Humano
É impressionante o processo de evolução da humanidade do séc. XIX ao séc. XXI! Da Revolução Francesa ao Iluminismo; do Humanismo à Revolução Industrial, do Positivismo ao advento da Sociedade da Informação; nunca o homem – e com ele a sociedade – evoluiu tanto! Evoluiu tanto que se fala até mesmo em “involução” (outro termo patenteado por biólogos, ecologistas que pode somar-se aos já apresentados anteriormente).
O que comprova o que está ocorrendo com o homem (humanidade) pode ser contatado pelos seguintes motivos:
1º) grande preocupação ecológica, onde o senso de preservação ocupa lugar de destaque;
2º) grande avanço científico-tecnológico devido ao advento da Sociedade da Informação.
Os dois exemplos citados – que por si só nos bastam – são preocupações que resultaram das ações do próprio homem. Contudo, quanto ao primeiro exemplo, fala-se de preservação da natureza, do meio ambiente, da camada de ozônio, dos recursos naturais (hídricos, minerais...), dos animais em extinção, mas não se fala da preservação do próprio homem enquanto homem; quanto ao segundo, o próprio homem ao preocupar-se com o avanço e desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias, esquece-se de colaborar com o seu próprio avanço e desenvolvimento.
Numa sociedade marcadamente capitalista (neoliberal) as pessoas tornam-se cada vez mais indiferentes e intolerantes – é interessante notar que, em muitos casos, são indiferentes com elas mesmas. Tal indiferença e intolerância, penso, são as duas grandes causas do processo de “desumanização” do homem.
IV – Dois Caminhos
Vários autores, poetas, antropólogos, filósofos apontam-nos dois caminhos a serem percorridos: o primeiro, o conhecimento de si (auto-conhecimento); o segundo, o conhecimento do outro (alter-conhecimento), assim como nos atesta Pablo Leminski: “Em mim eu vejo o outro e o outro e outro, enfim, dezenas, trens passando, vagões cheios de gente.” Rubem Alves também contribui dizendo que “cada pessoa tem uma história para contar. Elas trocam entre si pequenos fragmentos de memória para que os outros saibam que, a despeito da distância, vivemos juntos momentos de verdade, respiramos o mesmo ar, conspiramos”. Por fim, um provérbio russo traduz tudo isso na prática ao aconselhar que “somos bons quando fazemos os outros melhores.”
Diante dos caminhos apontados há a necessidade de, conforme o antropólogo Juvenal Arduini, “planejar e criar nova humanidade”. Moreno também segue dizendo que “a tarefa de nosso século é reencontrar um lugar para o ser humano...” Parafraseando-o, é tarefa nossa seguir humanizando o humano. Que esta tarefa seja sempre para nós um agradável gerúndio.