Sejam todos bem-vindos!


“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”

(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)

Muito prazer!

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Araxá, Minas Gerais, Brazil
Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2009

Por Ocasião do Dia Internacional da Mulher - 08 de Março


I – Para Começo de Conversa...
O pensamento mítico grego destaca as mulheres representando-as na figura de suas deusas: Ártemis, Afrodite, Atena, Deméter, Hera, Perséfone, Pandora e Gaia, ainda que a inteligência e o pensamento sejam simbolizados pela deusa Minerva (variante latina da deusa Atena), é importante realçar que esta veio ao mundo não através do corpo de sua mãe e sim da cabeça de seu pai, Zeus, o que evidencia desde o início que a mulher já não tinha nenhum valor.Para a história, combinar idéias e formar pensamentos, sempre foi julgado um direito pertinente aos homens, mas mesmo com tanta discriminação as mulheres conseguiram garantir uma pequena participação das mulheres na vida acadêmica. Um dos poucos apontamentos históricos sobre o assunto foi a criação de um núcleo de formação intelectual somente para mulheres, educandário fundado por Safo, poetisa de Lesbos que nasceu em 625 a.C.Na Filosofia Clássica, o pensamento que vigorava é o de que as mulheres somente tinham direito a um corpo e uma mente, porém não os dois ao mesmo tempo, pois desta forma a mulher nunca poderia gerar a razão. Na visão, por exemplo, de Pitágoras, a mulher era vista como um ser que se originou das trevas; já Platão detinha um pensamento diverso, as mulheres eram tão capazes de administrar quanto o homem, pois para ele quem governa tinha a obrigação de gerir a cidade-Estado se utilizando da razão e para Platão as mulheres detinham a mesma razão que os homens.
O Estagirita, Aristóteles, via a mulher como um homem não completo, para ele todas as características herdadas pela criança já estavam presentes no sêmen do pai, cabendo a mulher somente a função de abrigar e fazer brotar o fruto que vinha do homem, idéia esta aceita e propagada na Idade Média.
Para a Escolástica (período aureo da Filosofia Cristã), num dos seus maiores expoente, Santo Tomás de Aquino, tendo sido a mulher moldada a partir das costelas de um homem, sua alma tinha a mesma importância que a do homem; para ele, no céu predomina igualdade de direitos entre os sexos, pois assim que se abandona o corpo desaparecem as diferenças de sexo passando a ser tudo uma coisa só – pelo menos no céu; na terra não era bem assim.
Para o existencialista Hegel, a altercação existente entre um homem e uma mulher é igual a que há entre um animal e uma planta, sendo que o animal se identifica mais com o jeito do homem e a planta se molda mais conforme o aspecto da mulher, pois seu progresso é mais pacato, deixando-se levar mais pelo sentimentalismo, se estiverem no comando o Estado corre perigo pois, segundo ele, elas não atuam de acordo com as exigências do agrupamento de pessoas que estão governando e sim conforme seu estado de espírito.
II – Por outro lado...
Diante do exposto, pode-se afiançar que a inferioridade da mulher é tida como um tanto natural e invariável. Este espectro do “feminino” esteve presente na história da filosofia e permanece como um combate singular para as mulheres filosofas. Enquanto ser humano, a mulher é dotada de razão, mas o uso íntegro e apropriado ainda é privativo do ser masculino.
Parafraseando Lya Luft (cf. Revista Veja de 14/03/04), existem mulheres (maltratadas, aviltadas e submetidas) e Mulheres (que lutam com determinação por dignidade, respeito e vidas plenas). Quero destacar o Dia Internacional da Mulher, 08 de março, com olhos de quem vê o mundo de forma positiva; pois é verdade quando se diz que as “coisas são, da forma como a gente as ve”.
Se é verdade que ainda existe desigualdade nas relações de gênero e tantas outras formas de violência contra a mulher (veladas e explícitas), também é verdade que muitas conquistas podem ser vislumbradas. Uma delas, no campo que é peculiar desta coluna, é a descoberta de que as mulheres podem pensar – digo, filosoficamente; isto é, mulheres que contribuíram e ainda contribuem para a construção do pensamento filosófico. No século XX há uma evidência especial a algumas filósofas importantes; dentre elas, podemos citar Hannah Arendt, Simone Weil, Edith Stein, Mari Zambrano e Rosa Luxemburgo. Estas mulheres, contestando a ordem patriarcal de sua época, tornaram-se filósofas admiráveis e, sem dúvida, colaboraram para a constituição do conhecimento.
Trago esta questão pelo fato dos homens terem sido os “donos” das idéias ao longo dos tempos; fato que ainda nos atinge hoje. O crédito para a intelectualidade das mulheres deve ser construindo – e o está sendo – mas deve-se atentar que isto não se dará por meio de queixas e sim com muito trabalho e ousadia.
É preciso lembrar que, atualmente, no mundo intelectual, as diferenças de gênero caíram por terra; porém ainda há o “pré-conceito”. Se feminismo é não mais do que a luta pelos Direitos Humanos; hei de proclamar-me feminista, pois sou favorável à liberdade de pensar e agir – aqui ressalto o maior dos entraves à liberdade: a ignorância.
Anderson Alves

A Busca Pela Verdade Passa Pela Paz


A Epistemologia analisa os fundamentos utilizados para a compreensão da realidade e do conhecimento da mesma. Dogmatismo, Ceticismo, Relativismo, entre outros “ismos”, referem-se a um posicionamento filosófico sobre o produto ou o processo de/pela busca da verdade, em que se questiona: o produto do conhecimento obtido é verdadeiro? Como alcançar o conhecimento verdadeiro?
Ao tentarem responder a esses questionamentos, ao longo da História da Filosofia, os filósofos apresentaram diversas respostas, que se referem a diferentes tipos de conhecimento. A célebre frase do sofista Górgias: “Nada existe; se existisse, não poderia ser conhecido; se conhecido, não poderia ser comunicado”, permite-nos perceber três niveis de ceticismo: o ceticismo em relação à verdade, em que esta não existiria; a agnosticismo, em que a verdade até pode existir, mas não seria conhecida; e a incomunicabilidade da verdade conhecida.
Os que não são adeptos a uma religião podem se declarar céticos com relação à verdade religiosa, alguns agnósticos. E, ainda, alguns místicos podem se dizer céticos do ponto de vista da comunicabilidade da experiência religiosa. Essas são as possíveis posturas em relação ao conhecimento religioso, mas é importante ressaltar que são posturas intelectuais e não políticas – pelo menos em tese.
Por outro lado, teríamos o dogmático, este acredita que a verdade existe e é inabalável, da mesma forma como o conhecimento religioso seria verdadeiro e composto de um conjunto de dogmas. Ainda nas posturas intelectuais diante do conhecimento religioso, teríamos os relativistas, para os quais a verdade religiosa vai depender do ponto de referência adotado, podendo ser diferente se o ponto referencial é uma religião e depois outra. Já os ecléticos influenciaram os ecumênicos, em que haveria a possibilidade de a verdade religiosa ser obtida pela conjunção de pequenos elementos de verdade extraídos das diversas religiões.
Epistemologicamente, essas concepções são diversas e respeitadas, sendo mais complexo quando, a partir dessas convicções as pessoas decidem se relacionar uma com as outras. Se estamos então, no nível da moralidade, cada um com a sua escolha; mas, entretanto, se entramos na esfera das relações de poder – seja na espera familiar, escolar, do trabalho, no Estado ou País –, o problema epistemológico deixa a discussão da verdade para a questão da imposição da verdade; entramos na esfera política.
O posicionamento religioso pode se confundir com um posicionamento político e isso pode ser prejudicial à paz em alguns casos. São bem conhecidos os conflitos históricos provocados por concepções religiosas envolvendo judeus e muçulmanos, católicos e protestantes, cristãos e muçulmanos, dentre outros. Esses conflitos extrapolaram – e ainda extrapolam, como é o caso de Israel e Palestina – os limites religiosos interferindo em questões políticas, territoriais, econômicas e culturais. É de se pensar em como a religião – em alguns casos – propulsiona a guerra com uma pregação de paz.
A oposição religiosa que leva a uma “guerra santa”, declarada ou não, verbal ou corporal, vem de uma distinção religiosa básica entre o que é sagrado e o que é profano. Com base nisso, os fieis passam a distinguir suas atitudes, pensamentos, ações e até companhias pelo que é considerado sagrado pela religião seguida. O desejo de ver outros também agregados à sua religião pode levar a uma guerra pela imposição de valores. Aqui se instala uma questão de ordem moral. Se se reconhecesse a liberdade moral e a liberdade de consciência: conceito defendido pelos filósofos principalmente a partir do iluminismo e progressivamente até os nossos dias, muitos conflitos e divergências religiosas ou não, poderiam ser evitados; contribuindo ainda para a liberação de homens, mulheres, povos, escravos, crianças e grupos antes e ora marginalizados para um lugar de autonomia moral em suas decisões.
Por fim, além dos conceitos relativos à moralidade, os conceitos filosóficos da epistemologia em relação à verdade e aos conceitos políticos sobre a aplicação da verdade podem ser uteis na reflexão mais aprofundada do tema. Afinal, por que temos a guerra se a divergência poderia ser solucionada por acordo moral; ou melhor, pela compreensão do outro? Percebe-se que, o sentido da “guerra” santa ou não, pode permear questões políticas e econômicas e não morais e religiosas. A compreensão da Filosofia para com as diferenças – religiosas ou não – não depõe a favor de conflitos e guerras.
Anderson Alves

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Todo ponto de vista é visto de um ponto


Todos já ouvimos, a título de exemplo, que todo ponto de vista é visto de um ponto. Essa frase sintetiza, de certa forma, o pressuposto do relativismo. Essa postura (mentalidade) é resultado de uma sociedade marcadamente pluralista que apresenta grande diversidade de visões da realidade, de concepções de vida, de marcos comportamentais, de ideias e pesnamentos.
Para que o (a) leitor (a) entenda o que pretendo com este artigo é necessario pontuar, mesmo que brevemente, o que venha a ser relativismo. Trata-se de uma posição em que todos os pontos de vista são tão válidos quanto quaisquer outros e em que o individuo é a medida do que é verdade para si. Bom, penso ser isto um grande problema, pois o relativismo diz que a verdade está aí para ser aceita porque existem varias verdades – a minha, a sua, a dele, a daquele outro...Em se tratando de ideias e formas de pensar diferentes, há de se concordar que nem tudo pode ser aceito e aprovado como verdade – o pensamento que aqui expresso, por exemplo, pode ser colocado sob o critério da dúvida, ou não –; caberá ao leitor (a) o imperativo da escolha.
Por outro lado, quando se trata de varias verdades, fugimos ao imobilismo das coisas e se nos é imposto um trabalho de discernimento – pois as “verdades” podem estar sendo produzidas artificialmente pelos manipuladores de opinião. Nesse caso a verdade se constroi na funcionalidade, no solo da racionalidade utilitarista. É uma verdade frágil, sem raízes, instável, descartável. Falo aqui de outra verdade; a que brota de fontes de sentido, corretas ou não – não vem ao caso –, mas que se defrontam com questões significativas propostas pelo ser humano. Hoje tais fontes são múltiplas, como também se apresentam em diversas versões adaptadas à formação cultural dos receptores.
A complexidade de nossa sociedade atual tornou inviável a existencia de somente uma fonte de sentido por todos aceita por responder às suas questões e orientar suas trajetorias; requer leituras adequadas – daí o cuidado quando tudo se torna relativo. Tais leituras bem determinadas são obvias para os que vivem imersos em seu contexto, embora de difícil acesso e aceitação na perspectiva dos que estão de fora.
De fato, hoje temos consciencia de que não podemos transmitir às novas gerações as verdades do passado com aquela totalidade (absoluta certeza) que um dia acolhemos; nem tampouco dilui-las ao ponto de que não haja verdade alguma universalmente válida para mim, para você e para aquele outro.
Anderson Alves Costa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


Duas posições diante das coisas, do mundo e do homem
Quero apresentar-lhes, prezados leitores, duas grandes personagens da Filosofia: Parmênides e Heráclito. Eles fazem parte do primeiro grupo de filósofos chamados de pressocráticos, fisicistas ou naturalistas, pois se preocupavam sobretudo com as questões relativas à natureza e sua origem, ao movimento, etc. Não é objetivo deste arquivo discorrer sobre todo o pensamento destes dois filósofos – até porque não nos permitiria o espaço – e sim, considerar apenas a tese central de cada um deles e refletir sobre o que penso ser importante.
“O ser é e não pode não ser” é a tese principal de Parmênides: tese que exprime, a respeito do devir, a imutabilidade; ou seja, nada muda. Já para Heráclito seu ponto de partida é a constatação do incessante devir das coisas. O mundo é um fluxo perpetuo: “Não é possível descer duas vezes ao mesmo rio nem tocar duas vezes numa substancia mortal no mesmo estado; pela velocidade do movimento, tudo se dissipa e se recompõe de novo, tudo vem e vai”. A palavra chave é mudança. Diferentemente de Parmênides, ele concebe a realidade como algo dinâmico, em constante modificação.
Ambos falam da possibilidade de conhecer o mundo, as coisas e o proprio homem, contudo, por caminhos contrarios. Um fala da imutabilidade, o outro da mobilidade. Um, de certa forma, dogmatiza, o outro, relativiza. Um assume uma postura conservadora, o outro, progressista.
Conceber o mundo, as coisas e o homem como realidades imutaveis é desconsiderar o aspecto dinâmico de todas estas realidades, inclusive do proprio homem. É fechar todas as possibilidades de conhecer limitando o objeto a ser conhecido a uma única característica. O que se poderia conhecer de um objeto que se apresenta apenas de forma única e continua? Sem dúvidas que Parmênides contribui para a formulação do conceito do ser uno, perfeito e eterno, por outro lado, abole a possibilidade de transformação das coisas, do mundo e do homem com a concepção da ideia do imutável.
Ao afirmar que o que conhecemos e percebemos por via da razão é o que realmente é; dá a razão humana um grau de confiabilidade extremo que absolutiza o que conhecemos. Duas consequencias decorrem daqui: ele dicotomiza a relação existente entre razão e os sentidos e desconsidera este último. Assumir a postura de Parmênides de forma unilateral seria desconsiderar a pluralidade do ser sobretudo nos dias de hoje.
Por outro lado, afirmar que “tudo é devir e movimento” concebendo assim a realidade do mundo apenas como algo dinâmico, em constante modificação, traz-nos um certo desconforto, como diz a música: “Nada do que foi será de novo de um jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará...” O que poderia garantir a estabilidade das coisas, do ser no mundo, do proprio mundo e do homem? Como se definiria a verdade? O que realmente poderíamos conhecer? Esta concepção inaugurou, de certa forma, o relativismo vivido hoje por nossa sociedade, onde as pessoas dizem que “tudo é relativo”. Proclamar a pluralidade do ser, das coisas, do homem e do mundo não significa relativizar o ser, as coisas, o homem e o mundo, pelo contrario!
A tomada de posição hoje deve centrar-se na tentativa de conciliar as ideias deste dois filósofos que contribuíram para o todo do edificio filosófico. Existem realidades perenes e imutaveis assim como também existem outras que são dinâmicas e moveis; caberá cada um opinar criticamente sobre tais realizades sem absolutizá-las nem muito menos relativizá-las.
Anderson Alves Costa

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

VIVA O NOVO EM 2009!
Já há algum tempo a criativa e não menos poético-existencial chamada da propaganda da Ford “Viva o Novo” chamou minha atenção. Apesar do apelo midiático ao consumo, esta frase não deixa de conter outros apelos. O primeiro deles é o de desafiar ao leitor/cliente a sair do seu estado de conforto; ou melhor, a desinstalar-se; sim, pois o apelo à novidade incita a sair do status quo legitimado, seja ele qual for. Este imperativo gera o medo, a insegurança...o que não deixa de ser normal! Assim sendo, tomo emprestado esta provocação da Ford para falar da expectativa que o novo gera sobretudo em se tratando do Ano Novo que esperamos ansiosamente.
O Ser humano é, ao mesmo tempo, realização e carência, alegria e frustração, conquista e fracasso, avanço e recuo, transformação e conservação. Convivemos com essas duas forças interiores que, dialeticamente, se entrecruzam a todo instante: ora somos progressistas (no sentido de ir, avançarmos), ora somos conservadores (no sentido de permanecermos parados no tempo) dependendo da situação e dos valores que estiverem em jogo. O fato concreto é que somos dotados de inteligência e temos a capacidade de discernir e escolher entre as diversas e diferentes alternativas existentes. Certo é que a inteligência acrescida da vontade é que nos permitem avançar e progredir!
Quando refletimos sobre o significado da nossa existência, percebemos que somos diferentes dos demais seres vivos; aliás, reflexão é projetar, sair de si, é vislumbrar o futuro a partir do reconhecimento do passado e da consciência do presente. É nesse sentido que sempre nesta época do ano fazemos nossas “retrospectivas” sobre o ano que se finda e criamos nossas “expectativas” diante do ano novo que nasce. Criar expectativas é assumir nossa vocação ao futuro; é buscar o dinamismo da esperança; não uma esperança passiva e conformista que confia demais em promessas e que aguarda soluções mágicas, mas uma esperança ativa e inconformada que se antecipa as coisas, madruga na luta para transformar a utopia em realidade concreta.
A esperança (ativa), a utopia, os projetos e os objetivos são uma espécie de combustível que alimenta e revigora as ações humanas no sentido de superarem seus problemas e limites do cotidiano. Quando aparece que tudo acabou, que a vida não tem mais sentido, eis que começamos novamente a traçar planos, alçar vôos e prosseguir na caminhada da vida. A esperança de vida, de realização, de felicidade é fonte de inspiração, terreno, adubo, água e semente que, na figura do agricultor, carregam uma potencialidade inesgotável de ânimo e de crença no valor e na importância de ter sempre projetos. Esses podem ser individuais, coletivos, afetivos, profissionais, religiosos, políticos, etc.
Etimologicamente, a palavra esperança significa fé non futuro, na história, na força da ação coletiva; a utopia é algo que ainda não é, mas pode vir a ser, está fora de lugar, ainda não tem lugar, mas pode encontrá-lo. Assim também é o futuro: ainda não é, mas pode vir a ser, pode tornar-se algo diferente, pode transformar-se, desde que forças vivas, positivas e atuantes convirjam numa dimensão integradora. É preciso então arregaçar as mangas, ter vontade e iniciativa, agir na direção pensada e planejada, ter coragem para viver o novo.
É fato que o que se espera do ano novo que chega depende em primeiro lugar de você; pois também é verdade que não existe distância entre o que acreditamos como princípios e valores da vida e o que praticamos; é necessário buscar a coerência entre o que se acredita e o que se faz. Tarefa nada fácil de atingir porque significa, muitas vezes, deixarmos nossos interesses pessoais de lado, e pensarmos no conjunto, no coletivo.
Diante de tudo o que desejamos para nós de bom para o ano que chega, também haverá obstáculos a serem superados. É fato que a história nos ensina que a humanidade traçou e percorreu um longo caminho pontilhado de pedras, barreiras e obstáculos. Todavia, isso não foi motivo – nem deve ser para mim e para você – para desânimo. Pelo contrário, os problemas concretos impulsionaram os seres humanos para frente, para cima, para o novo. Não podemos ignorar que muitos ficaram à margem da estrada, não fizeram a caminhada. É mais fácil e cômodo não arriscar. A passividade, a apatia, a acomodação, a desesperança, a falta de utopia, o não compromisso são a armadura dos derrotados antes da luta ter começado. Portando, coragem, ouse, viva o novo em 2009. A todos os leitores, um Feliz e Próspero Ano Novo!
Anderson Alves Costa