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“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”

(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)

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Araxá, Minas Gerais, Brazil
Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Arte de Fazer Nascer Idéias


Sócrates, sempre pelo diálogo, costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, que ele aparentemente aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais da pessoa argüida, mostrando a tolice e os absurdos das opiniões superficiais e levando e presumido possuidor da sabedoria a se desconcertar em face das conseqüências contraditórias ou absurdas das suas opiniões originais e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória.
Esta primeira parte do método de Sócrates, destinada a levar o indivíduo à convicção do erro, é a ironia (chamada de irônia socrática). Depois, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor – desenvolvia a verdade completa. Sócrates deu a esta última parte a designação de maiêutica - a arte de fazer nascer as ideias. É este o método que se encontra amplamente desenvolvido nos diálogos socráticos de Platão.
Ora, sendo filho de uma parteira, Sócrates costumava comparar a sua atividade com a de trazer ao mundo a verdade que há dentro de cada um. Disse: “Ora, a minha arte de maiêutico é em tudo semelhante à das parteiras mas difere nisto, em que a ajuda a fazer dar à luz homens e não mulheres e provê às almas geradoras e não aos corpos. E não só, pois o significado maior desta minha arte é que consigo, mediante ela, distinguir, com maior segurança, se a mente do jovem dá à luz quimeras e mentiras, ou coisas vitais e verdadeiras. E tenho em comum com as parteiras precisamente isto: também sou estéril, estéril em sabedoria; e a censura que já muitos me fizeram de que eu interrogo os outros, mas nunca manifesto o meu pensamento acerca de nada, é uma censura muito verdadeira.[...] Por conseguinte, eu próprio não sou de modo nenhum sábio nem se gerou em mim qualquer descoberta que seja fruto da minha alma” ( in Adorno, página 79).
A maiêutica era, na realidade, nada mais que a arte da pesquisa em comum. O homem não podia ver claro por si só. A investigação de que se ocupa não pode começar e acabar no recinto fechado da sua individualidade, pelo contrário, só pode ser fruto de um dialogar contínuo com os outros, como consigo mesmo. O método socrático tinha como característica levar cada indivíduo a refletir acerca dos seus deveres. Sócrates começava por chamar a atenção de cada um para os seus interesses pessoais, interesses domésticos ou pessoais, educação dos filhos, problemas da vida da cidade, questões relativas ao saber. Levava em seguida os seus interlocutores quaisquer que eles fossem, a extrair do caso particular o pensamento universal. Começando por suscitar a desconfiança em relação aos preconceitos que cada um aceitou sem exame prévio, conseguia convencer o seu interlocutor a procurar em si próprio o que era. Conduzia-lo assim, por um lado, a extrair o universal do caso concreto e a expor plenamente à luz aquilo que se esconde em qualquer consciência; e, por outro lado, obrigava-o a destruir as generalidades aceitas de imediato pela consciência.
Não tendo conseguido formular uma filosofia de maneira sistemática, o processo principal de Sócrates consistia em interrogar, em ajudar cada um a tomar consciência dos seus próprios pensamentos, ou melhor, em despertar dentro de cada indivíduo a consciência do universal, a qual existe no foro íntimo de todos como essência imediata. Tal como escreveu Hegel, Sócrates opõe à interioridade acidental e particular a universal e verdadeira interioridade do pensamento. A introspecção é o característico da filosofia de Sócrates, e exprime-se na famosa frase, “Conhece-te a ti mesmo”. Isto é, torna-te consciente da tua ignorância. Conclui-se que os ensinamentos de Sócrates tinham dois propósitos: o primeiro era de demonstrar que o conhecimento era a base de toda a ação virtuosa; o segundo, indicar o conhecimento devia ser desenvolvido pelo próprio indivíduo, de sua própria existência, por meio do método dialético. O conhecimento sustentava ele, era o requisito prévio da livre ação em todas as artes. Isto é sobretudo verdadeiro no caso da mais elevada das artes, a arte de bem viver.
Esse conhecimento, sustentava Sócrates, não podia ser adquirido pela simples aceitação de opiniões individuais, mas somente pela procura daquilo que é comum a todos e que constitui a verdade universalmente válida. Mas o indivíduo era incapaz, sem instrução, de descobrir em sua experiência essa verdade de validez universal. Tal verdade só podia ser adquirida mediante o processo da dialética. Em conseqüência, o alvo do trabalho de Sócrates, assim como o seu ponto de vista sobre o objetivo geral da educação, era o de desenvolver em cada indivíduo o poder de formular verdades universais.
Daqui, uma pergunta se faz necessária: o método maiêutico de Sócrates, o qual ajudava o homem a ‘parir’ suas idéias é conveniente hoje, em uma sociedade (dita) bem informada? Fica aqui um convite à filosofia a todos os nossos leitores.
Anderson Alves Costa