VIVA O NOVO EM 2009!
Já há algum tempo a criativa e não menos poético-existencial chamada da propaganda da Ford “Viva o Novo” chamou minha atenção. Apesar do apelo midiático ao consumo, esta frase não deixa de conter outros apelos. O primeiro deles é o de desafiar ao leitor/cliente a sair do seu estado de conforto; ou melhor, a desinstalar-se; sim, pois o apelo à novidade incita a sair do status quo legitimado, seja ele qual for. Este imperativo gera o medo, a insegurança...o que não deixa de ser normal! Assim sendo, tomo emprestado esta provocação da Ford para falar da expectativa que o novo gera sobretudo em se tratando do Ano Novo que esperamos ansiosamente.
O Ser humano é, ao mesmo tempo, realização e carência, alegria e frustração, conquista e fracasso, avanço e recuo, transformação e conservação. Convivemos com essas duas forças interiores que, dialeticamente, se entrecruzam a todo instante: ora somos progressistas (no sentido de ir, avançarmos), ora somos conservadores (no sentido de permanecermos parados no tempo) dependendo da situação e dos valores que estiverem em jogo. O fato concreto é que somos dotados de inteligência e temos a capacidade de discernir e escolher entre as diversas e diferentes alternativas existentes. Certo é que a inteligência acrescida da vontade é que nos permitem avançar e progredir!
Quando refletimos sobre o significado da nossa existência, percebemos que somos diferentes dos demais seres vivos; aliás, reflexão é projetar, sair de si, é vislumbrar o futuro a partir do reconhecimento do passado e da consciência do presente. É nesse sentido que sempre nesta época do ano fazemos nossas “retrospectivas” sobre o ano que se finda e criamos nossas “expectativas” diante do ano novo que nasce. Criar expectativas é assumir nossa vocação ao futuro; é buscar o dinamismo da esperança; não uma esperança passiva e conformista que confia demais em promessas e que aguarda soluções mágicas, mas uma esperança ativa e inconformada que se antecipa as coisas, madruga na luta para transformar a utopia em realidade concreta.
A esperança (ativa), a utopia, os projetos e os objetivos são uma espécie de combustível que alimenta e revigora as ações humanas no sentido de superarem seus problemas e limites do cotidiano. Quando aparece que tudo acabou, que a vida não tem mais sentido, eis que começamos novamente a traçar planos, alçar vôos e prosseguir na caminhada da vida. A esperança de vida, de realização, de felicidade é fonte de inspiração, terreno, adubo, água e semente que, na figura do agricultor, carregam uma potencialidade inesgotável de ânimo e de crença no valor e na importância de ter sempre projetos. Esses podem ser individuais, coletivos, afetivos, profissionais, religiosos, políticos, etc.
Etimologicamente, a palavra esperança significa fé non futuro, na história, na força da ação coletiva; a utopia é algo que ainda não é, mas pode vir a ser, está fora de lugar, ainda não tem lugar, mas pode encontrá-lo. Assim também é o futuro: ainda não é, mas pode vir a ser, pode tornar-se algo diferente, pode transformar-se, desde que forças vivas, positivas e atuantes convirjam numa dimensão integradora. É preciso então arregaçar as mangas, ter vontade e iniciativa, agir na direção pensada e planejada, ter coragem para viver o novo.
É fato que o que se espera do ano novo que chega depende em primeiro lugar de você; pois também é verdade que não existe distância entre o que acreditamos como princípios e valores da vida e o que praticamos; é necessário buscar a coerência entre o que se acredita e o que se faz. Tarefa nada fácil de atingir porque significa, muitas vezes, deixarmos nossos interesses pessoais de lado, e pensarmos no conjunto, no coletivo.
Diante de tudo o que desejamos para nós de bom para o ano que chega, também haverá obstáculos a serem superados. É fato que a história nos ensina que a humanidade traçou e percorreu um longo caminho pontilhado de pedras, barreiras e obstáculos. Todavia, isso não foi motivo – nem deve ser para mim e para você – para desânimo. Pelo contrário, os problemas concretos impulsionaram os seres humanos para frente, para cima, para o novo. Não podemos ignorar que muitos ficaram à margem da estrada, não fizeram a caminhada. É mais fácil e cômodo não arriscar. A passividade, a apatia, a acomodação, a desesperança, a falta de utopia, o não compromisso são a armadura dos derrotados antes da luta ter começado. Portando, coragem, ouse, viva o novo em 2009. A todos os leitores, um Feliz e Próspero Ano Novo!
Anderson Alves Costa
A Filosofia é um misto de “Admiração (Platão) e Espanto (Aristóteles)”. A filosofia nos permite sair de nossa situação costumeira por meio do nosso pensamento como “se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo...” - Marilena Chaui.
Sejam todos bem-vindos!
“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”
(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)
Muito prazer!
- Anderson Alves
- Araxá, Minas Gerais, Brazil
- Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br
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