(Este artigo foi publicado no periódico online http://www.diariodearaxa.com.br/ em 07/10/2010)
Às vésperas das eleições não posso furta-me à responsabilidade de falar sobre o assunto. Já havia escrito num artigo publicado em 2009 sobre o “Pressuposto para uma Democracia Social” dizendo que vivíamos um clima de “eleições antecipadas” e, com isso, “um momento especial de participação da sociedade na definição do seu destino”; aliás, convido todos a revisitarem o texto que ainda continua pertinente.
Já na Antiguidade Clássica via-se a preocupação a respeito dos limites e possibilidades de uma sociedade justa e ideal (quem quiser saber mais convido à leitura da obra A República de Platão); nela, entre outras coisas, vemos o fundamento das relações entre Filosofia e Política e da própria Filosofia Política que, a grosso modo, preocupa-se com as relações humanas e as relações de poder em seu sentido coletivo.
Falando em Platão, na mesma obra, no clássico Mito da Caverna, diz: "Ora, a verdade é que convém que vão ao poder os que não estão enamorados dele; caso contrário, os rivais entrarão em combate”. A verdade é que os postulantes a serem os nossos representantes, abrigados em partidos políticos, buscam (a maioria deles) mais o poder do que uma representação justa em vista de uma sociedade justa. Não é por outra razão que partidos políticos fazem coligações esdrúxulas, desvirtuando-se de seus ideais fundantes (posturas que me impedem, no momento, a decidir por uma filiação partidária).
Ao visitar algumas frases de alguns célebres pensadores/escritores deparei-me com um, pelo menos para mim, desconhecido; contudo, sua assertiva chamou-me a atenção, dizia que “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam" (Arnold Toynbee).
Pois bem, pura verdade! Partindo dessas premissas, escolhemos pessoas para nos representar, para tomar decisões em nosso lugar. É importante destacar que esse mandato que conferimos a nossos representantes não é imperativo; os eleitos não estão obrigados a consultar os eleitores cada vez que forem tomar uma decisão, recebendo de nossas mãos uma cartilha de instruções na qual estão expressas e impressas nossas vontades. Da mesma forma, os eleitores não podem se eximir da sua tarefa de acompanhar os trabalhos de seus eleitos.
A atual democracia representativa foi concebida com a ideia de que no Estado contemporâneo não é mais possível reunir toda a população para decidir sobre os rumos da nação, fato que todos sabemos ser procedente. Ademais, as questões contemporâneas têm exigido tantos conhecimentos técnicos que a população não tem como tomar posição, salvo em aspectos gerais.
Além disso, o povo está cada vez mais deixando para o Estado tarefas que são suas, esquecem de acompanhar seus representantes e não se interessam em tomar conhecimento do que ocorre no governo nas suas três esferas. Aí está um campo aberto para a corrupção. Penso que essa situação só começará a mudar quando o poder não for o único e exclusivo desejo dos partidos e dos candidatos e quando a população quiser se informar sobre o que efetivamente seja democracia representativa e passe a olhar atentamente para as questões de seu interesse.
Segue aqui meu conselho: nestas eleições, ao escolher bem o seu candidato assuma o compromisso de acompanhá-lo (para não dizer fiscalizá-lo) ao longo do seu mandato, finalizo replicando o alerta que motivou este artigo: “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam" (Arnold Toynbee).
A Filosofia é um misto de “Admiração (Platão) e Espanto (Aristóteles)”. A filosofia nos permite sair de nossa situação costumeira por meio do nosso pensamento como “se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo...” - Marilena Chaui.
Sejam todos bem-vindos!
“ O único significado da vida é crescer. Nenhum preço é alto demais para o crescimento. Apenas compreendendo isto, você poderá ajudar alguém a crescer”
(Robert R. Carkhuff. In.: COSTA, Antônio Carlos Gomes. Pedagogia da Presença:
da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Ed. Modus Faciendi; 1997.)
Muito prazer!
- Anderson Alves
- Araxá, Minas Gerais, Brazil
- Carioca, 35 anos. Estou no Estado de Minas Gerais há 13 anos. Educador há 12 anos, filósofo, teólogo e pedagogo. Como filosofia de vida assumi o seguinte: SER, AMAR E SERVIR. Atualmente atuo como gerente administrativo do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá. Membro coordenador da Mesorregião 9 (5ª RISP) - Triângulo e Alto Paranaíba - ESPASSO CONSEG (Estado, Profissionais da Área de Segurança e Sociedade Organizada em prol da Segurança Pública) - Criador da Rede Social de Articulação e Mobilização dos Direitos da Criança e do Adolescente de Araxá e Região - http://dcaaraxa.ning.com - Colaborador da Coluna Filosofia e Afins do periódico virtual Diário de Araxá - www.diariodearaxa.com.br
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